Nas margens do Rio Preguiças, em Barreirinhas, Maranhão, a comunidade de Tapuio está atraindo turistas ao reviver práticas tradicionais. Com cerca de 160 famílias, o povoado, que se sustenta com a agricultura, encontrou no turismo uma nova fonte de renda. A reativação da casa de farinha, onde visitantes aprendem sobre a produção artesanal de farinha de mandioca, é uma das principais atrações. José Maria Diniz Araújo, morador local, conduz as visitas, destacando a importância cultural e histórica do processo.
O turismo de base comunitária, promovido pelo Sebrae, tem sido fundamental para a economia local, aumentando a renda em até 40% durante a alta temporada. José Maria destaca a importância das capacitações oferecidas, que incluem precificação e storytelling, para melhorar a experiência dos visitantes. Ele ressalta que esse tipo de turismo permite que a comunidade mantenha suas atividades diárias, preservando o meio ambiente e resistindo à especulação imobiliária.
Apesar do sucesso, José Maria aponta a necessidade de maior articulação para competir com o turismo de massa nos Lençóis Maranhenses. Além disso, ele lamenta a falta de interesse dos jovens pela produção de farinha, o que ameaça a continuidade da tradição. Flavia Nadler, do Sebrae Maranhão, enfatiza o papel do turismo regenerativo na valorização das práticas culturais e na geração de renda, atraindo turistas em busca de experiências autênticas.
Outra comunidade beneficiada pelo turismo é o povoado de Marcelino, onde o artesanato com fibras de buriti se destaca. Com 360 famílias, o local produz peças artesanais que são vendidas em várias partes do Brasil e no exterior. Josy Santos, líder comunitária, relembra o apoio do Sebrae na implementação de práticas sustentáveis e no desenvolvimento de corantes naturais. O trabalho com o buriti não só gera renda, mas também promove autonomia e pertencimento entre as mulheres da comunidade.
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